Miriam Patini: paixão por fazer acontecer

Prestes a completar 60 anos, Miriam Patini – Diretora da Conexão Comunicação Organizacional e Diretora Executiva do GRUCA (Grupo Campinas de RH) – é a pessoa por trás de um dos eventos de maior sucesso em 2017 no Expo D. Pedro, o 23º Encontro de Recursos Humanos do Grupo Campinas de RH. Apaixonada pelo que faz, ela conta à Expo Magazine sobre sua trajetória profissional, suas maiores conquistas e desafios.

Você é formada em Jornalismo. Conte um pouco do seu início de carreira, a escolha da profissão e de como você se encaminhou para o universo corporativo.

Eu praticamente nasci dentro de uma editora e sempre disse que um dia seria jornalista e, na época, só homens tinham essa profissão. As mulheres eram revisoras e eu, inclusive, fui revisora. Quando eu comecei a trabalhar na editora, fui a revisora mais nova que tiveram, mas eu queria mesmo era ser jornalista. Fiz Letras, casei, tive os filhos e vim de Santo André para a região de Campinas. Cheguei aqui sem amigos e precisava fazer alguma coisa. Foi então que comecei a cursar Jornalismo na UNIMEP. O que sempre me encantou em Jornalismo era a área de pesquisa, o ato de desenvolver temas e pesquisa-los.

Quando cheguei aqui, o SENAC de Campinas estava fazendo um mapeamento pra poder nortear os próximos 10 anos. Eles convocaram alguém pra fazer o papel de Ombudsman, e a preferência era por quem tivesse formação na área de Comunicação Social. Gostavam das minhas entrevistas porque eu lia as entrelinhas. Quando comecei a entrevistar profissionais da área de RH, via muitas pessoas dizendo que pertenciam a um grupo, mas era um grupo pequeno. Vi que existiam vários grupos de RH na região, mas eles não se conversavam e procurei saber a razão para isso. O GRUCA foi pioneiro e está fazendo 60 anos. Por estatuto, eram só 40 empresas, e eram só os primeiros homens de RH, só diretores.

Começaram então a surgir outros grupos, mas que utilizavam o mesmo estatuto do GRUCA. Foi quando eu resolvi fazer um encontro desses grupos e, esse ano, o Expo D. Pedro recebe a 24ª edição. Minha formação em Jornalismo ajudou muito porque jornalistas, em princípio, não devem pensar dentro da caixa, visto que são seres curiosos que adoram pesquisar. Procurei trazer outros saberes para o RH, faço links que dificilmente fariam. Todos os meus encontros de RH possuem um tema, uma identidade que a pessoa não vai esquecer, porque ela passou pelo coração antes de ser guardada na sua razão.

No ano passado, nós utilizamos como tema o RH Off Road. Os profissionais precisam ser 4×4 porque eles não sabem qual é o solo que vão encontrar, ou quais são os desafios. Você vai falar de relações trabalhistas, vai falar de novas tecnologias, mas você tem como pano de fundo o RH Off Road. Esse ano, por exemplo, o mote vai ser outro: Deep Dive. Nós vamos mergulhar. O que acontece: você mergulha em um saber que não é o de RH, mas que tem paralelo. Por isso escolhi essa profissão. Ela me dá asas.

Eu tenho dois grandes eventos por ano: o Encontro de RH e a celebração de aniversário do GRUCA. Apesar disso, todos os meses eu organizo um mini evento, que são as reuniões mensais do GRUCA. São 11 meses no ano em que eu preciso ter programações que não podem se repetir. Quanto ao Encontro de RH, queremos abordar o que tirou o sono do setor nesse semestre. Esse ano, nosso tema será Deep Dive, mas os painéis de discussão tem que ser feitos a partir de uma discussão jornalística, porque as coisas acontecem em um ritmo impressionante nesse país. A minha formação em Comunicação Social me ajuda a juntar todos os saberes.

Você tem que dar leveza e sentido àquilo que você fala e faz, e acho que é por isso que eu me divirto. Você precisa chamar investidores pra poder viabilizar seu projeto, e como fazer isso se você não apelar para o imaginário das pessoas? Se você não as encantar? Mas, se você encantar e não entregar, é uma faca de dois gumes. É superação ano após ano, então você deve procurar fazer tudo de uma forma diferente. Quem vem esse ano não pode encontrar a mesma coisa que viu ano passado, nem ano retrasado. O palco é o mesmo, mas a peça é totalmente diferente. A dinâmica tem que ser diferente e o bater do coração tem que ser diferente. Só que dessa vez não vamos levantar poeira, nós vamos mergulhar.

Como e quando surgiu a ideia de fundar a Conexão? Qual a principal missão da empresa?

A Conexão veio de uma necessidade do SENAC, na época em que começaram as terceirizações. Depois que fui Ombudsman, o pessoal começou a ligar no SENAC querendo falar com a Miriam Patini. O problema é que não existia uma Miriam Patini no SENAC, apenas uma pessoa que havia sido contratada para o papel de Ombudsman em um projeto específico. O Diretor Regional da época me disse, então: “você não quer abrir uma empresa e, daqui em diante, cuidar dos eventos in company e dos nossos eventos abertos?”. Foi assim que começamos. Durante três anos tive um contrato de exclusividade com o SENAC, mas, depois disso, começamos a trazer coisas diferentes, pois não poderia trazer a mesma coisa para o pessoal do RH o tempo todo. Foi aí que surgiu a Conexão. E não é que é isso mesmo? Porque você vai conectando as coisas. Eu não faço nada, só vou conectando.

Balancear seu tempo e suas atividades entre o GRUCA e a Conexão é um desafio?

Hoje, a Conexão acaba atendendo as empresas do GRUCA, pois eu o atendo. As pessoas que estão comigo há 19 anos falam “puxa, Miriam, eu queria tanto que você fizesse uma coisa semelhante dentro da minha empresa”, e eu vou! Porque o que eles querem não é uma grande estrutura, mas sim aquela energia que transforma. Eu tenho que tomar muito cuidado em relação a isso, se não vou me esvair. Mas dá para caminhar. Obviamente, não tenho mais o ritmo que eu tinha, já que esse ano completo 60 anos. Eu só não perdi a paixão pelo que faço.

Seja como Diretora da Conexão ou atuando na Coordenação Executiva do GRUCA, você ocupa cargos de liderança. Considerando sua experiência pessoal, quais as qualidades mais importantes para ser um bom líder?

O bom líder tem que ser, em principio, humilde para servir e para ser seguido. Eu vejo muitos lideres que pegam as pessoas no grito, mas acho que o líder não deve ser assim. Líder é aquele que consegue, num momento extremo, dizer: “vamos juntar forças por um objetivo em comum”, e isso não acontece com gritos. As pessoas são atraídas por ele, querem estar junto dele. Quanto mais crises temos, mais fácil identificar os verdadeiros líderes. É necessário ter essa característica, saber ouvir e prestar atenção naquilo que ninguém presta. O líder vê soluções e valoriza a semente, não o botão. Ele está vendo o que pode acontecer lá na frente e ele consegue fazer as pessoas sentirem o cheiro da flor ainda na semente.

Qual o maior desafio da sua profissão?

Credibilidade. É algo que você tem que construir e manter. Você pode passar 20 anos fazendo algo bem feito, mas, se um evento dá errado, o que vai ficar não são os 20 anos de eventos você fez, mas sim aquele que deu errado. Você tem que ter ética em primeiro lugar, se colocar no lugar do outro. O que você não quer que alguém faça com você, não faça com o outro. O respeito que você quer que o outro tenha com você, comece primeiro. Você dá o tom dos relacionamentos. Eu tive o prazer e o privilégio de trabalhar com pessoas muito éticas, e é gostoso trabalhar com pessoas assim. E, se não for uma pessoa ética, eu vou embora. Eu percebo e levo as coisas como aprendizado, mas não preciso me submeter a isso ou abrir mão dos meus valores para ter um sucesso profissional, porque é comigo que eu vou dormir todas as noites.

Você se considera uma pessoa realizada profissionalmente?

Muito! Não me vejo fazendo outra coisa. E, para falar a verdade, se eu tiver que fazer alguma outra coisa, eu só queria que Deus me desse esse mesmo entusiasmo para o que quer que eu vá fazer. Porque fazer alguma coisa que você gosta é muito diferente de fazer algo que você se sente obrigado a fazer. É preciso trabalhar com dignidade, ter orgulho de falar sobre suas realizações.

Para você, qual o momento mais marcante da sua carreira?

Há três anos eu tive degeneração de mácula. A possibilidade de eu ficar cega era iminente, seria muito rápido e eu tive que fazer uma cirurgia. Então, como é no centro da mácula, eu perdi a percepção de detalhes. O que é, para uma jornalista, não conseguir ler letras pequenas? A partir de então, eu tive que fazer tudo com lupas. Isso aconteceu e eu pensei que teria que parar. Pensei que eu não poderia estar lá na frente fazendo abertura de eventos, não conseguiria ler nada. O momento mais marcante da minha carreira foi quando, no ano retrasado, eu estava em um palco montado aqui no Expo falando sobre sustentabilidade e eu não enxergava nada, mas consegui fazer todo o evento. Foi o ano com o maior número de participantes. Com tudo aquilo acontecendo, não conseguia acreditar que eu estava realmente fazendo tudo sem enxergar! E ninguém sabia disso. Isso foi um momento de superação para mim. Eu pensei que ia entrar em depressão, pois era inviável uma jornalista não ler. Esse foi um momento marcante para mim, um desafio porque eu posso não ver, mas eu enxergo e percebo as coisas melhor. Eu posso ter apenas 30% de visão atualmente, mas as coisas fluem tão bem que eu até me esqueço de que não enxergo. Eu vejo cores, formas, mas não vejo nada em detalhes. A minha profissão me proporcionou várias coisas, e essa vitória foi uma delas. Depois que o evento acabou e depois que a última pessoa foi embora, eu chorei muito.

Por fim, quais os seus principais projetos para 2018?
Continuo querendo encantar as pessoas do mundo corporativo, que possuem uma rotina desgastante. Volto a dizer que a temática dos eventos é o que torna palatável essa rotina do dia-a-dia, o evento ressignifica a rotina. Os principais eventos que estão vindo por aí são o 24º Encontro de Recursos Humanos e a celebração de 60 anos do GRUCA, o grupo mais antigo de RH. Assim como ele, também comemoro meus 60 anos em 2018, então teremos bastante festa.


Leia a entrevista com Miriam Patini e outras matérias sobre Empreendedorismo, Marketing, Tecnologia, Negócios e muito mais na terceira edição da Expo Magazine, disponível no Issuu.

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